
Caros Amigos
Você alguma vez já se perguntou o que é Tanatólgo? Uma palavra até mesmo complicada e estranha de se pronunciar. Mas, esta profissão tem um grande papel. Confira essa matéria e tire suas conclusões ou até mesmo fique espantado sobre o que é esta profissão.
Tanatólogo: a morte como rotina
A morte é uma certeza que muitos seres humanos têm como indesejável. Para uns, ela significa o fim, para outros é uma passagem necessária para um lugar melhor. Mas é neste momento tão delicado da vida que os tanatólogos atuam. Conforme explica o dicionário, Tanatólgo vem da palavra grega Tanatologia que significa estudo da morte; teoria acerca da morte, da sua natureza, dos seus sinais. Este profissional é o responsável em preparar os corpos para os ritos fúnebres, e entre os serviços realizados está a higienização, que prorroga o estado de decomposição do corpo, tornando possível a realização dos velórios.
Um destes profissionais é Joel da Silva, que trabalha em uma funerária de Penápolis, interior de São Paulo. Com 21 anos de profissão, Joel diz que optou pela ocupação por não haver muitos campos para escolher. “Comecei a trabalhar em 1987 quando tinha 20 anos. Como não havia muitas oportunidades de emprego na época, aceitei de prontidão”, disse.
Com 41 anos, cabelos pretos, olhos castanhos e de baixa estatura, Joel nos recebeu com normalidade, respondendo as perguntas oscilando entre risos e frieza. Para ele, falar sobre morte é como falar de futebol com os amigos. Segundo ele, sua profissão só faz perder o sono quando ligam no meio da noite para realizar o trabalho. “Já perdi muitas noites de sono, por ter que preparar (um corpo), mas perder noite de sono devido mexer em algum corpo, nunca”, respondeu entre risos.
Sobre o início como tanatólogo, Joel definiu como “terrível” pois em seu primeiro dia de serviço faleceram dois amigos seus, e com isso, entrou em estado de choque e logo pensou em desistir da profissão. Hoje, porém, se diz orgulhoso de seu trabalho. Quando falou de sua profissão, Joel se expressou como um pai que se orgulha do filho bem sucedido. “Hoje tenho orgulho de ser Tanatólogo”, comentou abrindo novamente seu sorriso peculiar.
Com respeito ao horário de trabalho, ele nos informa que não tem horário fixo. “Não tem horário. Se precisarem mesmo estando em casa eles me chamam. Trabalho em regime de plantão pois não tem hora para acontecer”, comenta Joel. Quando perguntamos o número de corpos em que já preparou, ele abriu um grande sorriso. “São tantos que já perdi a conta. (começa a dar risada). Em média fazemos 60 óbitos por mês”.
O sorriso dá um lugar a um semblante fechado quando falamos de coisas que o impressionaram nestes 21 anos de profissão. Com um tom de lamento, ele diz que um corpo de uma criança acidentada de quatro anos, que era conhecida por Joel, passou pelos seus cuidados. Falando sobre este acontecimento, Joel comenta sobre a triste experiência de pais perderem seus filhos. “Fico até hoje impressionado quando chegam crianças para preparar, pois sou pai e sei o quanto é doloroso perder um filho”.
Sobre os métodos usados na preparação, ele nos diz que hoje,diferente de 21 anos atrás, está muito avançado. “Com estes métodos que usamos na preparação do corpo, ele pode ser velado por até 90 dias sem exalar cheiro nenhum”, comenta.
A preparação do corpo inclui banho, maquiagem e em alguns casos como acidente automobilístico é feito a reconstituição facial com produtos parecidos com a pele humana. Por fim, quando o corpo está quase pronto, é colocado dentro do caixão para ser velado. Mas nesta preparação há uma curiosidade: Joel nos conta como é feita a colocação da roupa no corpo. Em tom de brincadeira, ele nos diz que coloca a roupa no corpo como se estivesse colocando roupa em uma criança ou em um adulto.
Evangélico, Joel nos diz que a morte é um momento brutal, pois “machuca o ente querido”; porém ele acredita que Deus preparou um lugar especial para cada ser humano. “Acredito que exista outro lugar que não seja na Terra que Deus preparou para nós”, conclui.