quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Penapolense guarda até hoje carta enviada pela Nasa



Caros Amigos,

Em 20 de julho de 1969, a população mundial acompanhava por meio rádio e demais veículos de comunicação o comandante da missão Apolo 11 e astronauta Neil Alden Armstrong entrar para a história como sendo o primeiro homem a pisar na Lua. Na época, o penapolense Alair Pereira, 73 anos, acompanhou esta façanha por meio do radioamadorismo, hobby praticado aproximadamente há 54 anos.


O radioamador é a pessoa que procura manter o funcionamento de uma estação de radiocomunicação para comunicados e conversas informais ou para concursos e competições nacionais e internacionais. Além dos operadores de estações amadoras de radiocomunicação, os códigos desta modalidade de comunicação são utilizados por serviços diversos, tanto civis como militares, e também por profissionais e empresas que utilizam a radiocomunicação como contato com seus integrantes.

"Sempre gostei de eletrônica, fazendo cursos e trabalhando no conserto de aparelhos", recorda Alair. Hoje, 40 anos após este feito, ele que é militar reformado, guarda com carinho uma relíquia que poucas pessoas no mundo possui: uma carta (foto) de correspondência da Nasa (que em português significa Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica), também conhecida como Agência Espacial Americana, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial em comemoração a este feito. "Lembro que neste dia sintonizei uma estação americana dentro da Nasa, e o locutor que falava em espanhol dizia que aquele que conseguisse contato ganharia esta carta como recordação", comenta.

Ao ouvir esta mensagem, Alair tentou contato, conseguindo falar com o operador, cumprimentando a conquista feita pelos astronautas. "Não demorou muito tempo, o carteiro chegou à minha casa com um envelope, e ao abrir, notei que era a carta conforme aquele locutor havia prometido", destaca. O penapolense guarda até hoje, junto com seus aparelhos de radioamador, a carta contendo o selo comemorativo e a foto dos três astronautas que participaram daquela viagem histórica. "Foi um momento especial que este hobby me proporcionou", garante.

A paixão pelo radioamadorismo começou quando o penapolense era policial militar e foi atuar na manutenção de equipamentos de transmissões. "Nesta época fundamos o Clube de Radioamadores da Guarda Civil de São Paulo. Na época, para trabalhar nesta área era preciso conhecer noções básicas de eletrônica e legislação, que são utilizadas até hoje", ressalta. A primeira estação, ou "batismo" como é chamado pelos adeptos ao radioamadorismo aconteceu quando se comunicou com David Badur (já falecido) residente em Campinas. Após esta comunicação, Alair também foi atendido por Ademar Torres e sua irmã, conversando com este por meia hora.



Atualmente, o penapolense (foto) se comunica de sua residência com outros radioamadores espalhados pelo Brasil e fora do país, admitindo que os meios de comunicação eram precários naquela época, por isso o radioamador era usado em casos de emergência. "Divulgação de falecimentos e outras notícias de utilidade pública eram anunciados pelos adeptos", enfatiza. Dentre os casos de emergência, Alair destacou que certa vez ajudou um trabalhador que foi atacado por uma cobra coral em Assumpção, no Paraguai, ao descarregar uma carga de bananas que estava em um navio. "Um radioamador entrou em contato comigo para saber quais medidas teriam de ser tomadas naquela situação, solicitando o soro antielapídico intravenoso", lembra.

De imediato, o penapolense entrou em contato pelo aparelho ao Instituto Butantã em São Paulo, sendo providenciado o soro que foi transportado pelo avião da FAB (Força Aérea Brasileira). "Em poucas horas, o antídoto estava em Assumpção, salvando a vida daquele trabalhador", diz emocionado. Alair garante com convicção que mesmo com o avanço dos meios de comunicação, o radioamadorismo nunca acabará, pois possibilita fazer novas amizades e rever velhos companheiros operando suas estações. Além dele, suas duas filhas e um genro, bem como outros penapolenses tem o radioamadorismo como hobby. "Enquanto eu viver, estarei sempre me comunicando pelo radioamadorismo, pois só me trouxe alegrias e emoções", finaliza.

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