
Caros Amigos,
Pipoca é boa de qualquer jeito. Com sal, adocicada, feita em casa na panela ou preparada no microondas. Saboreada no cinema, então, é uma delícia! Mas nada supera aquela pipoquinha vendida pelos pipoqueiros em praças, em portas de igrejas ou em frente a escolas. Esses profissionais não são simplesmente vendedores de pipoca, mas sim são personagens de uma história tradicional em Penápolis, onde o costume de se comer pipoca é muito grande. A maioria dos pipoqueiros está há anos na profissão, sendo muitas vezes esta arte passada de pai para filho. E as pipocas, ficam cada vez mais gostosas com a prática destes mestres.
Claro que cada um tem um segredinho na preparação da pipoca, mas o diferencial é o amor com que trabalham e a atenção que dão ao cliente.O pipoqueiro Carlos Pereira da Silva, 63 anos, (foto) conhecido como “Seu Carlão”, conquistou há 23 anos o carinho e o “estômago” dos moradores da cidade. Nascido no bairro rural Scardovelli em Glicério, ele contou que tudo começou quando adquiriu seu primeiro carrinho, onde na época trabalhava de mecânico no Curtume Atlântica. “No início vendia as pipocas apenas no domingo e feriados defronte o antigo Corinthians, quando decidi pedir demissão do emprego e me dedicar à venda do produto”, recordou.
Casado e pai de dois filhos, sendo o garoto já falecido, durante todo este tempo, para conseguir sustentar a família, Carlão trabalhou duro todos os dias, das 18h às 23h na praça Dr. Carlos Sampaio Filho, defronte o Cine Lúmine. “A única folga que tenho é quando chove, pois estou sempre no mesmo lugar comercializando as pipocas nos preços de R$ 1, R$ 1,50, R$ 2 e R$ 3”, garantiu. Mesmo abandonando a profissão de mecânico e se dedicando a venda de pipocas, Carlão também exerceu a função de cobrador na Livraria Católica durante o dia, permanecendo pouco tempo, quando veio aposentar.
Dentre os segredos que fazem a sua pipoca, em especial a com bacon ser um sucesso na cidade e região, tendo clientes de fora que vem aos finais de semana adquirir o produto, o pipoqueiro diz que a preparação certa é muito importante e que realça o paladar dos degustadores. “O bacon deve ser frito da maneira adequada para assim complementar e dar melhor sabor à pipoca”. Com o dinheiro que ganha com a venda das pipocas, o penapolense admitiu que dá para custear suas despesas, inclusive formando sua filha em professora.
Prazer

O casal fica até os nossos dias todos os domingos à noite próximo ao trenzinho da alegria na praça e quando tem jogos do CAP (Clube Atlético Penapolense) no Estádio Municipal Tenente Carriço, ambos estão comercializando suas pipocas. “O sucesso é procurar trabalhar com um produto bom, tratar bem o cliente com muita humildade ganhando assim o carisma, confiança e prestígio”, acrescentou. Como recordação ruim, o “Tio da pipoca” lembra de quando ao encerrar seu expediente, era assaltado e toda renda adquirida com a venda era levada pelos assaltantes.
“Embora tenha acontecido isso, sinto orgulho na profissão, pois tenho muitos clientes até hoje que fazem questão de ir domingo à noite para adquirir a pipoca”, disse Nelson, que afirmou que enquanto tiver forças estará junto com sua esposa “Ana Maria Braga” no mesmo ponto comercializando a tradicional e famosa pipoca. “Sou muito feliz como pipoqueiro e na medida do possível e saúde, estarei aqui na praça com meu carrinho vendendo as minhas pipocas para a população” finalizou Carlão.